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Empreendedorismo: conceito de Administração. É o ato de criar e gerenciar um negócio, assumindo os riscos em busca de lucro. O empreendedor deve estar sempre em busca de oportunidades e ter características como iniciativa, persistência e comprometimento. A palavra, que inicialmente está ligada a uma profissão, saiu do vocabulário dos que atuam em funções administrativas e chegou à escola. Nos colégios ganhou uma conotação mais abrangente: a de criar coisas novas e ter coragem de ingressar no mundo dos negócios. Buscar uma atitude empreendedora é o que muitas escolas públicas e particulares do Rio de Janeiro estão ensinando a seus alunos. Além de preparar os adolescentes para o vestibular, os colégios estão atentos ao mercado de trabalho e às características exigidas dos jovens profissionais.
Alunos do Saint John viram miniempresários - O empreendedorismo já entrou na pauta escolar do Saint John, na Barra da Tijuca. No ano passado, quatro estudantes do 2º ano do ensino médio participaram do "Jogo de Empresas", um programa desenvolvido pela disciplina de Introdução à Engenharia, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) em parceria com escolas. Participantes do projeto, os alunos do Saint John, Michel Schettert, Fabiane Paiva, Gabriela Lima e Christopher Dyann tiveram a oportunidade de freqüentar aulas do curso de Engenharia de Produção no segundo semestre de 2005 e criaram a empresa Beta 2, uma operadora de telefonia celular. Eles tiveram que lançar produtos, plano de negócios, tratar das partes contábil, de marketing e de propaganda, além de atuar em todas as etapas de produção de um celular.
Apesar de a empresa ser fictícia, ela competia com outras empresas do mesmo ramo, mas também experimentais. Foi criado pelo "Jogo" um pseudo mercado de operadoras de celulares, onde o objetivo era fazer com que uma das empresas se destacasse diante das outras duas companhias concorrentes: Alfa 2 e Gama 2, compostas por alunos de outros colégios. De acordo com o coordenador de ensino médio e orientador dos estudantes, Carlos Eduardo Lima, o objetivo da experiência é introduzi-los no mercado de trabalho da melhor forma. "Sem dúvida nenhuma que um programa como este leva o aluno a experimentar e enxergar o mercado de trabalho de outra forma. Nosso principal objetivo foi prepará-los para este mercado, que é exigente. O resultado foi tão positivo que estamos tentando ingressar neste ano no ‘Jogo de Empresas’ da PUC novamente, com outro grupo de alunos do 2º ano do ensino médio", conta o professor. Os quatro jovens que ingressaram no "Jogo" como estudantes, saíram como miniempresários do ramo de celulares. Quem quiser conferir o trabalho dos estudantes pode visitar o site da empresa Beta 2, no endereço eletrônico . A iniciativa foi parabenizada pelos organizadores do projeto. De acordo com Isnard Martins, da PUC-Rio, os estudantes passaram por uma prova difícil, mas não deixaram nada a desejar para os universitários de Engenharia.
Escola deve ensinar a arte da criatividade
Outro colégio que entrou na onda do empreendedorismo, foi a Escola Modelar Cambaúba (EMC), da Ilha do Governador. O colégio participou no ano passado do Programa de Miniempresa, da organização não governamental Júnior Achievement. Um grupo com cerca de 30 alunos do 2º ano do ensino médio construíram uma miniempresa de confecção de colares. Assim como os jovens do Saint John, os estudantes da EMC tiveram que agir como empresários do ramo de bijuterias e pensar em todos os detalhes de uma empresa. "A turma foi dividida em vários setores de uma empresa. Foi incrível vê-los se desenvolvendo com responsabilidade, e aprendendo como as coisas são no mercado de trabalho", disse a diretora da escola, Maria Maselo, também supervisora do programa no colégio. De acordo com a diretora da EMC, a escola já estava procurando há alguns anos levar aos alunos a experiência de mercado de trabalho. "Não tínhamos achado nenhum programa que atendesse às nossas exigências, mas queríamos participar de uma experiência de empreendedorismo. Entretanto, não queríamos qualquer projeto", conta a educadora. Para Maria Maselo, a escola deve estar sempre atenta às mudanças da sociedade. "No meu tempo, saímos da escola para arrumar um emprego, de preferência vitalício. Não éramos incentivados a criar. Hoje, a sociedade e o mercado pedem que os estudantes tenham a criatividade como fonte de trabalho. Por isso, pensamos em colocá-los na prática do aprender fazendo e não só estudando a teoria", explica a professora.
Ensino Médio é fase ideal para incentivo
De acordo com a Maria Maselo, o 2º ano do ensino médio é a melhor fase para se trabalhar projetos de empreendedorismo. "Acho que no 2º ano eles já saíram da fase de transição do ensino fundamental para o médio e ainda não estão se preparando para o vestibular. Ao mesmo tempo já estão maduros o suficiente para aprender a ter responsabilidade, e adquirir essa experiência de mercado de trabalho, que irá ajudá-los no futuro", comenta. Neste ano a EMC, da Ilha do Governador, também está participando do Programa de Miniempresas, junto com outras 20 escolas públicas e particulares. Entre elas está o Colégio Estadual Amaro Cavalcanti, que fica no Largo do Machado. O Programa começará nas próximas semanas, mas os alunos do colégio estadual já estão ansiosos para participar. De acordo com a coordenadora do projeto dentro da escola, Leila Maria Lemos Soares, o entusiasmo dos estudantes que participaram fez com que eles entrassem novamente no Programa. "Participamos no ano passado, com o objetivo de colocar os alunos em uma experiência diferente da qual a escola oferece. Eu acompanhei o período todo do projeto e o entusiasmo dos estudantes que participaram. Acho que a Miniempresa abriu as perspectivas deles e foi muito importante para a auto-estima dos estudantes. Eles se sentiram valorizados", conta a professora Leila. Saiba como funciona o Programa da Miniempresa e o Jogo de Empresas - O Programa da Miniempresa da Júnior Achievement consiste em dar aos estudantes a oportunidade de conhecer como as ações são realizadas no mercado de trabalho. O principal objetivo é levar aos alunos a experiência do empreendedorismo. Eles são obrigados a aprender a solucionar os problemas e obstáculos, trabalhar em equipe e ultrapassar os desafios de uma miniempresa.
De acordo com diretora executiva da Júnior
Achievement, Laura Mariane, a idade para a implantação do programa não poderia ser mais oportuna do que a faixa etária dos 16 anos (correspondente ao 2ºano do ensino médio). "O programa é destinado aos alunos dessa faixa etária, porque eles já passaram da fase de adaptação no ensino médio (o 1ºano) e ainda não estão vivendo a tensão do vestibular", afirmou. Os estudantes recebem orientação dos advisers da Júnior, que são profissionais voluntários de todas as áreas, responsáveis por ajudar os estudantes na batalha do mercado de trabalho. O ponto alto do Programa é a Feira de Miniempresas, realizada sempre no mês de outubro. Quando todas as miniempresas se posicionam em estandes para vender seus produtos. Após o fechamento do programa, os jovens participam da formatura em dezembro, com direito a cerimônia de entrega de certificados e prêmios para os melhores em diversas categorias.
O "Jogo de Empresas" da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) é uma parceria das escolas com o curso de Engenharia da faculdade. Os jovens têm a oportunidade de assistir aulas de Introdução à Engenharia e passam por todas as etapas de construção de uma miniempresa. Desde o plano de negócios até uma fictícia comercialização do produto desenvolvido. O "Jogo" é dividido em dois ciclos, com duração de duas semanas cada. Ao final de cada etapa, os estudantes-empresários tiveram que preencher a Folha de Decisões. Uma espécie de formulário que mostrava a situação da empresa e apontava o melhor caminho a ser tomado para o resultado mais lucrativo possível. Ao final de todo o Programa, o grupo passa por uma avaliação na PUC-Rio, que atesta a realização da criação de uma miniempresa.
Luciana Rosário - Folha Dirigida
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