Primeiro acesso para professores
Acesso para professores já cadastrados que queiram alterar seus currículos
 

Texto:

Eu estou meio que perdido com algumas regras adotadas, hoje em dia, pelo MEC para o ingresso nas universidades brasileiras.
Eu sou de uma geração que escolhia a profissão antes de prestar o exame vestibular. A inscrição era feita por área de interesse. Ou você queria ser médico ou engenheiro, nunca um engenheiro-médico ou um médico-engenheiro. Ou você optava por um curso de direito ou por um curso de medicina. Em regra geral, é claro. Tínhamos exceções que fogem a qualquer regra geral, mas muito poucas. E assim mesmo, em vestibulares diferentes.
As escolas de ensino médio desenvolviam um trabalho de orientação vocacional onde os alunos tinham acesso às informações sobre as diversas áreas. Ou através de visitas programadas, ou por palestras de profissionais no exercício da profissão, ou ainda por trabalho de grupo, sempre com a regência de um(a) orientador(a) educacional. Era um trabalho que durava de seis meses a um ano durante a 2ª série do ensino médio. Terminado este trabalho, normalmente, os alunos optavam por suas carreiras com a convicção do que realmente queriam como profissão pelo resto de suas vidas. As mudanças de rumo eram provocadas pelo filtro do mercado de trabalho. Eram provocadas pela falta de oportunidade e não pela falta de aptidão. Hoje, o ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) permite que os alunos escolham cinco dos 974 cursos oferecidos em âmbito nacional pelas 51 instituições de ensino em todo o Brasil, independente de área ou instituição.
Explico melhor. Se o aluno pretende cursar medicina na UFRJ e não obtiver pontos suficientes para a sua classificação, ele pode optar por um curso menos procurado em que a relação candidato/vaga seja menor e obter, assim, sua classificação, mesmo que este curso seja de outra área.
É claro que as matrículas no ensino superior vão crescer e muito, para o ano de 2010. E, logo, o MEC divulgará um relatório afirmando que a qualidade do ensino médio aumentou, que o número de matrículas no ensino superior aumentou, que teremos uma geração mais competente, pois, mais alunos estarão cursando as universidades e por aí afora.
O aluno mais digno de pena não é o que não sabe e sim aquele que pensa que sabe. Esse é o mais carente. E o que o governo está promovendo é essa situação de engodo.
As universidades estarão cheias de pessoas fazendo o que não gostam, mas fazendo.
Sugiro que o governo realize uma pesquisa no final do 1º período, ou no final do ciclo básico com esses alunos participantes do ENEM 2009 para determinar a diferença de efetivo entre os que entraram nas universidades neste ano e os que ainda permaneceram nela.
E, ainda, temos uma agravante de alta procura pelas universidades das regiões sudeste e sul pelos alunos das outras que regiões que anseiam em estudar nos grandes centros.
E, emoldurando estes critérios, ainda temos o sistema de cotas.

Walter Villa Filho

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