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"Ministro economista" divide opiniões

Com a saída de Fernando Haddad do Ministério da Educação (MEC), que deixou o cargo a fim de se preparar para a disputa da prefeitura de São Paulo nas eleições 2012, o economista Aloizio Mercadante, que comandava o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, assumiu a pasta. A FOLHA DIRIGIDA entrou em contato com alguns educadores para saber o que pensam sobre o nomeado pela presidente Dilma Roussef como novo ministro da Educação. Os especialistas ficaram divididos sobre a nomeação de alguém sem trajetória na área da para comandar o MEC. O que é consenso entre todos, entretanto, é que deve ser alguém sensível aos problemas enfrentados no setor e capaz de entender a educação como um caminho estratégico para o desenvolvimento social e econômico do país.
"Comparando com o Haddad, o Mercadante tem maior experiência política, pelos cargos que já ocupou. Isso pode ser bom, porque há necessidade de maior diálogo, e o político, de maneira geral, tem essa capacidade. Outra expectativa é a redução da inflação legislativa. Ano passado, o MEC editou 8 mil portarias. É um número absurdo de atos que interferem na vida das instituições. Um ministro mais político talvez possa trazer um processo de menos regulamentação. Outro ponto importante, e que precisamos caminhar, esse pode ser o primeiro passo, é a transferência do ensino superior para a área de ciência e tecnologia. Seria um grande avanço deixar o MEC apenas para a educação básica. Pode ser que haja um entendimento nesse ponto e, quem sabe, em médio prazo, possamos ter uma unificação das políticas necessárias para o desenvolvimento do país. Não existe educação sem ligação com ciência e tecnologia." João Roberto Moreira Alves (presidente do Instituto de Pesquisas Avançadas em Educação)"Para ser ministro da Educação, não necessariamente é preciso ser um educador, até porque os ministérios são cargos políticos. De todo modo, é fundamental que entenda os problemas da área e seu sentindo estratégico para todas as dimensões de uma sociedade democrática. Precisa ser uma pessoa de cultura universal, que enxergue a educação como um direito social, pois ainda não se constitui, efetivamente, nem na sociedade nem no governo, como prioridade real. O maior gargalo é o ensino médio. O novo ministro deve ter consciência disso e buscar um aporte, no mínimo, triplicado no segmento, que é o passaporte para a cidadania e o emprego qualificado. O parlamento, o judiciário e o executivo não têm esse entendimento. Nossa base social também não pressiona para que a educação seja, de fato, uma uma base estratégica nacional. Espero que o novo ministro brigue para que a educação deixe de ser apenas discurso." Gaudêncio Frigotto (professor do Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas e Formação Humana da Uerj) "O ideal, mas que raramente acontece, é que seja alguém com trajetória na educação, pois pois o perfil técnico é fundamental. Porém, na administração pública brasileira, quem ocupa cargos de confiança quase nunca tem essa característica. O comportamento dos ministros não é baseado na competência técnica e no compromisso com o interesse público. O fato de ter uma história na educação também não é suficiente. É preciso demonstrar compromisso público, pois não estamos falando de uma empresa privada. É necessário ter preocupação com os interesses da população. Embora o discurso seja esse, na prática isso ainda não acontece. Não tenho muita informação sobre o Mercadante e, por isso, não crio grandes expectativas. Não por ser ele, mas por ser do PT. A trajetória dos dois últimos governos não foi favorável ao interesse público. O Prouni, por exemplo, ajuda as instituições privadas, que garantem uma clientela cativa." Nicholas Davies (professor da Faculdade de Educação da UFF)"Tem que ser alguém da educação, sim. Mesmo reconhecendo que nem sempre um grande professor é um grande administrador público, precisamos buscar pessoas com uma história relevante na educação. São eles que poderão conduzir de forma plena uma política efetiva, não esse tiroteio que vivemos hoje. Só que é muito complicado, porque não é apenas um ministro. Deve estar em sintonia com uma equipe e afinado com o governo, sua base e oposição. Tem que ser alguém que saiba negociar conjecturas de ordem política e, como educador, com experiência e visão de campo. O Mercadante é um economista. Os ministérios não têm muitos quadros técnicos, isso torna ainda mais necessário que o político seja alguém da área, com legitimidade e reconhecimento, independente do respeito político pela nomeação." Marcelo Corrêa e Castro (Decano do Centro de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal do Rio de Janeiro)

Folha Dirigida

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