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"Apagão" de mão de obra é consequência de mau ensino médio
O Brasil não pode esperar que o ensino médio melhore apenas com a chegada de uma geração de alunos mais bem preparada desde o início do fundamental. É o que disse à Folha Wanda Engel, ex-secretária de Assistência Social do governo FHC e superintendente-executiva do Instituto Unibanco, que tem priorizado em suas ações sociais a melhoria da formação no ensino médio. O Ideb, indicador de qualidade do MEC, mostrou que a educação avançou no ensino fundamental, mas ficou estagnada no médio. Leia trechos da entrevista.
Folha - Para o MEC e alguns especialistas, é natural que a qualidade da educação melhore a partir do início do ensino fundamental, com menos avanços no ensino médio. A senhora concorda?
Wanda Engel - Não dá para esperar que a gente melhore apenas quando uma geração mais bem escolarizada chegue ao fim do ensino médio. O país hoje já vive um apagão de mão de obra em algumas áreas e a deficiência na formação de jovens nesta etapa é a principal causa. Se o ensino médio continuar melhorando ao ritmo de 0,1 ponto a cada dois anos, demoraremos 40 anos para atingir a meta de qualidade proposta.
É possível ter resultados em curto prazo, quando sabemos que os jovens chegam ao ensino médio com muitas deficiências?
Com criatividade, sim. Uma das estratégias pode ser fazer um esforço para recuperar as deficiências em português e matemática.
Não estaríamos negligenciando as demais disciplinas?
Não significa esquecê-las, mas sim priorizar as fundamentais primeiramente. Além disso, quando há nexo entre educação e trabalho, o incentivo é maior. Neste sentido, é fundamental aproveitar a Lei do Aprendiz, que cria condições para que esses jovens tenham oportunidade no mercado de trabalho sem prejudicar sua formação.
Folha de São Paulo
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